Arquivo mensal: setembro 2007

Livros de infância

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Há alguns livros que marcaram demais minha infância:

– “Histórias que a mamãe contava” – Pequenos contos, em sua maioria tristes ao extremo, geralmente com final infeliz e/ou uma lição de moral inserida.

– “Cazuza” (nada a ver com o cantor) – Estória real de um garotinho do interior. Bom demais da conta (Resenha do Submarino: ‘Sua leitura é indispensável para a formação das crianças pois traz questões que envolvem as virtudes, a moral, a valorização da família e o papel da escola como um agente de formação e não de repressão’ ).

– Coleção completa da escritora Laura Ingalls Wilder. Trata-se da saga autobiográfica de uma família norte-americana no início da colonização, em uma vida de privações e trabalho árduo, mas entremeada de momentos felizes de amor e riso.  Sobreviver era uma luta diária,  e cada pequenina alegria se transformava num acontecimento  maravilhoso e inesquecível para aquelas crianças que viviam tão duramente. Uma estória tão sofrida e ao mesmo tempo de uma doçura e uma simplicidade encantadoras.

Acho muito interessante o que esses livros têm em comum:  Os protagonistas são crianças; Fala-se muito de sofrimento, rigidez na educação dos filhos, exaltação da família e retratação de um cotidiano muito diferente da realidade atual. Serão esses ingredientes infalíveis pra um bom romance infanto-juvenil? rsrsrs.

Os dois primeiros títulos estão guardadinhos aqui em casa. Já os da coleção,que é formada por 09 volumes, eu possuía 03 (herança de mami, hohoho) sendo que 01 a minha amada sogra fez o favor de comer com angu, e os outros 06 eu li via biblioteca pública, séculos atrás. Resolvi então que não deixaria de forma alguma que meus filhos deixassem de ter a oportunidade de ler essas pérolas, e fui à caça, rsrs. Alguns já saíram de linha, então deles eu tirei xerox enquanto nenhum leitor-ladrão os roube da biblioteca (acontece muito), e os que ainda existem no mercado estou comprando e guardando pra ir em futuro breve ler pra eles.Espero que se apaixonem e se encantem da mesma forma que eu.

Eis um clássico do “Histórias…”:

Um rapaz espirituoso

Vivia, em companhia de um sapateiro, um seu aprendiz.

Sendo a dona da casa muito cainha*, magra era a pitança** que às horas da refeição distribuía ao rapaz, e quanto a manteiga no pão, disso nem se falava.

Como o patrão não reparasse nessas minúcias, o rapaz fez o propósito de, para elas, chamar-lhe a atenção.

Assim, uma vez ao almoço, rompeu num pranto inconsolável. – Que tem, rapaz? Perguntou-lhe, aflito, o sapateiro. – Ora meu amo, tornou-lhe ele de pronto; Parece-me que vou perder de todo a vista, já nem vejo a manteiga no pão! E um forte soluço embargou-lhe a voz.

O patrão compreendeu logo o que se tratava, e pediu à sua mulher que desse alguma coisa ao rapaz, para ele comer com o pão. A mulher passou-lhe, então, uma naca de queijo, mas muito fina.

O rapaz, recebendo-a, levantou no ar e disse, rindo-se como que muito satisfeito: – Agora sim, meu amo; Agora a vista já me vai tornando, pois estou vendo perfeitamente a cara da patroa do outro lado deste queijo!

* Cainha – miserável             ** pitança – porção de alimento

Fala sério zente, é muito legal né?!

Cabeça de urubu enterrada

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A escola onde trabalho nunca foi das mais interessantes, talvez pela clientela, que é de super-hiper-baixo nível social; Muitos inclusive passam fome, só se alimentam quando chegam lá. Devido a isso e ao pouco pulso da Direção, o negócio mais parece uma casa da mãe Joana, barracos se formam com incrível facilidade tanto por parte de alunos quanto por parte de pais.

Ano passado pintou uma mãe muito estranha, se dizendo membro de um grupo que verifica em que condições estão as escolas. Ela bateu de frente com a Diretora, e aí o bicho pegou. A tal mulé colocou na cabeça de criar todo tipo de inferno pra jogá-la pras cobras, e começou até a inventar que alunos estavam sendo espancados, alunas estupradas e horrores mil. O povaréu baixava na porta pra saber se era verdade, a mulé invadia a escola juntamente com outras mães pra discutir e até rede de TV baixou lá pra saber dos escândalos. Foi um pandemônio.

Até que no fim do ano a Diretora foi exonerada por causa de Prestações de Contas mal explicadas, Notas Fiscais frias e cositas mais. O pessoal que fazia parte do Colegiado ficou de cabelo em pé, desesperado de medo de ser indiciado e processado por ter assinado cheques referentes a compras forjadas. Coitadas, faziam tudo que a chefe mandava até de olhos fechados, afinal, manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Do nada e por nada colocaram outra superiora, totalmente desconhecida tanto dos funcionários quanto da comunidade. Ela começou botando a maior banca, se dizendo a tal e falando que iria colocar ordem na casa. Começou bem, forçando os alunos a usarem uniforme, a chegaram dentro do horário (já pensou uma escola onde tem que se forçar a barra até nisso? Imaginem quanto ao resto…), introduzindo a carteirinha e etc. Já de princípio deu a maior confusão, teve até pai fazendo abaixo assinado pra tirá-la porque não tinha como o filho chegar mais cedo na escola, que não tinha dinheiro pra comprar uniforme, enfim, pra toda exigência com intuito de melhorar e impor ordem a cambada dava do contra. Mas até que ela peitou e por um tempo foi conseguindo segurar.

Porém, rapidamente voltou a afrouxar as rédeas, achando que já estava tudo sob controle. Ledo engano. Aos poucos as coisas foram voltando ao estado anterior, e a baderna está instalada novamente.

O resultado da nossa Avaliação da Educação Básica foi tão ruim, mas tão ruim, que a Secretaria de Educação teve que criar um Plano de Intervenção, qual seja, um Plano de Aulas específico, como se fosse uma aula de reforço diária, pra poder praticamente alfabetizar um bocado de meninos que estão na 5ª Série e mal sabem ler, ensiná-los a raciocinar, interpretar textos,fazer contas, ou seja, aprender o básico do básico né? Que sem isso pode esquecer. Pra coordenar esse projeto, foi enviada uma mulé  que já chegou arrepiando e dando sentadas diárias nos professores e no pessoal do Pedagógico. Não sei o motivo, mas esse pessoal que vem da Secretaria tem o “ótimo” costume de ser duma grossura incrível. Só nesses primeiros dias já vi gente ou saindo aos prantos após uma primeira conversa ou então batendo boca pesado.

Pra azedar tudo: a Diretora atual não conseguiu organizar a bagunça das prestações de conta referentes à gestão anterior, e por causa disso foram simplesmente bloqueadas todas as contas bancárias de verbas. Não há dinheiro pra absolutamente nada: falta papel, falta tinta pra impressora, falta alimentação dos alunos, falta durex, stêncil, cola, caneta, o telefone está cortado, enfim, falta tudo! Agora estamos tendo que pagar pelo nosso papel higiênico e pelo nosso cafezinho. A internet ainda está sobrevivendo aos trancos e barrancos porque é paga pelo Governo diretamente à empresa prestadora de serviços por causa dos emails que a Superintendência envia direto pra todas as escolas, mas acho que se bobear daqui a pouco vai pro saco também. Agora eu só queria saber uma coisa: o quê que os alunos têm a ver com isso se há má administração financeira, ainda mais de uma criatura que nem está mais lá?????

Fora a fofocaiada, que eu nunca vi lugarzinho lascado pra dar conversa fiada, e a comunicação é super truncada. Todo mundo tenta tirar o corpo fora, um joga a culpa dos erros no outro, um saco. Agora a danada da chefa parece que tá meio abilolada de tanto problema e acúmulo de serviço e o que acontece: esquece tudo o que lhe foi dito ou informado, e na hora em que sua superiora lhe questiona ela afirma, jura de pés juntos que não foi avisada de nada, que não sabia de nada!!!! Pelamordedeus!!!!!

Agora me digam, tem ou não tem uma cabeça de urubu enterrada nesse lugar? Só pode!! rsrsrs.

Quando eles dormem

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Durante todo o dia correm, pulam, gritam, desobedecem, argumentam, choram, riem, brincam. Se consideram “gândes” e são cheios de atitudes.

Mas quando chega a noite e o soninho vem, eles se tornam meus bebês de sempre.  Pegam seus bonecos, chamam a mamãe, se aconchegam em meus braços, querem dormir coladinhos comigo.

Faço carinho em seus cabelos e em seus rostinhos tão lindos, dou cheirinhos em seus cangotes, beijo suas bochechas. E quando enfim seus olhinhos fecham, fico observando  seus semblantes serenos e me encanto com tanta doçura.

Giovanices

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São 3 horas da manhã, e Gigi me chama para dormir com ela. Lá vou eu, até zureta de sono, me deitar na sua caminha. De repente ela solta:

– Mamãe, depoooois, quando as férias chegarem e a aula voltar de novo (!!), vc compra uma mochila de rodinha da Barbie pra mim?

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Minha mãe está viajando, inclusive na iminência de firmar residência fora. Ao chegar da escola, ela me pergunta:

– A vovó está em casa?

– Não, não está.

– Ela vai ficar fora o tempo inteiro?

Curiosa pra saber qual será sua reação ao saber que a avó ficará distante por longos períodos, respondo:

– Vai sim, o tempo inteiro, pra sempre!

– Buááááááá, então ela não vai ser minha avó nunca mais????

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– Mamãe, que dia vai passar “Minha nada mole vida”?

– Bom, não passa mais, mas era sexta-feira.

– E hoje é que dia?

– Quinta-feira.

– E sexta é que dia?

– Amanhã!

– E amanhã é que dia?

– …….